Brasil, 12 de dezembro de 2025
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Intensas negociações marcam tramitação de projeto antifacções

O fim de semana foi marcado por negociações em torno do projeto de lei antifacções na Câmara dos Deputados, com envolvimento do STF.

O final de semana foi de intensas negociações em torno do substituto do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) ao projeto de lei antifacções em tramitação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), assumiu a linha de frente das tentativas de retirar resistências ao texto que vem sendo costurado pelo ex-secretário de Segurança de São Paulo, e intermediou conversas de Derrite com pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Compromissos e mudanças no texto

A ambos, Derrite se comprometeu a retirar do texto qualquer equiparação entre as facções criminosas e organizações terroristas. O projeto irá manter apenas o conceito utilizado na Lei 13.260, de 2016, que tipifica e regulamenta o terrorismo, permitindo que também sejam punidos os atos preparatórios praticados pelas facções. Esta é a única lei do ordenamento jurídico brasileiro que permite a punição por atos preparatórios, o que torna a sua utilização central para o combate à criminalidade organizada no país.

No entanto, o governo se opõe à ideia de utilizar os termos da Lei de Terrorismo para propor um novo ordenamento que enfrentaria as facções. Para o governo, há riscos à soberania nacional e a possibilidade de um intervencionismo externo, caso haja qualquer tipo de equiparação entre os crimes das facções que atuam nos presídios e em diversos estados com a prática de terrorismo. Essa resistência do governo ressalta a delicadeza do tema, que envolve não apenas questões jurídicas, mas também políticas e sociais profundas.

Reparos e críticas ao projeto

Especialistas e operadores do Direito têm levantado outras preocupações em relação ao projeto de lei. Alguns críticos argumentam que há uma exclusão da Polícia Federal da possibilidade de atuar em operações de combate a essas facções, o que poderia comprometer a efetividade do combate ao crime organizado. A preocupação com a atuação das forças policiais e a articulação entre diferentes esferas de segurança é fundamental para garantir um enfrentamento coeso e eficiente das facções criminosas.

O papel do presidente da Câmara

O trabalho do Planalto tem se concentrado em dissuadir Motta da ideia de apensar todos os projetos que tratam do assunto ao projeto de Derrite, que é próximo a Tarcísio de Freitas e do mesmo partido de Jair Bolsonaro. Pode-se perceber uma tentativa do governo de manter um controle maior sobre as discussões e propostas que chegam à Câmara, proporcionando uma maior transparência e coordenação nas ações que visam o combate às facções criminosas.

Apesar das dificuldades, Motta tem trabalhado de forma colaborativa com Derrite, demonstrando uma dobradinha que pode facilitar a tramitação do projeto. Ao longo do fim de semana, ambos realizaram um intenso trabalho de construção de pontes e diálogo. Tanto Gilmar Mendes quanto Moraes mostraram receptividade ao projeto, no entanto, interlocutores dos ministros negam que tenham dado um aval incondicional ao texto de Derrite, uma vez que ainda não conhecem sua íntegra.

Desafios futuros e perspectivas

A tramitação do projeto antifacções na Câmara dos Deputados representa um desafio significativo em meio a discussões complexas e tensões políticas. O equilíbrio entre a necessidade de um marco regulatório eficiente para o combate ao crime organizado e a preservação das garantias e direitos fundamentais é uma linha tênue que deve ser navegada com cautela. Com as negociações em andamento, a expectativa é que as próximas semanas tragam mais definições e um avanço nas discussões sobre o projeto, refletindo a urgência do tema para a segurança pública brasileira.

Em um cenário de crescente preocupação com a atuação de facções criminosas, o debate em torno do projeto antifacções se torna mais relevante do que nunca, ressaltando a importância da participação dos diversos atores políticos e da sociedade civil nesse processo.

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