O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma ligação para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), neste sábado, em que expressou seu descontentamento com a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei que estabelece a chamada Lei Antifacção. Essa proposta, recentemente enviada pelo governo ao Congresso, está gerando debates acalorados a respeito da segurança pública.
A controvérsia na escolha do relator
De acordo com relatos obtidos, Lula demonstrou incômodo com a indicação de Derrite, que é secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo e aliado do governador Tarcísio de Freitas, um nome que já começa a ser cogitado para a corrida presidencial de 2026. O presidente expressou a preferência de que o relator do projeto fosse um parlamentar mais neutro, considerando a polarização entre o governo e a direita em relação ao debate sobre segurança pública.
A resposta de Hugo Motta
Em resposta ao presidente, Hugo Motta assegurou que a relatoria será conduzida de maneira técnica e sem viés político. Motta enfatizou que o texto proposto pelo governo não será apensado a outras propostas que tentam equiparar facções criminosas a organizações terroristas, um tema sensível para o governo Lula. O presidente já se manifestou publicamente contra essa equiparação, acreditando que ela poderia abrir portas para intervenções estrangeiras no Brasil sob o pretexto de combate ao terrorismo.
A segurança pública como pauta suprapartidária
Motivando-se pela importância do tema, o presidente da Câmara utilizou suas redes sociais, afirmando que a segurança pública deve ser tratada como uma “pauta suprapartidária e uma urgência nacional”. Ele manifestou compromisso em trabalhar para que a Câmara aprove o projeto ainda neste ano. Segundo Motta, o relatório de Derrite “preserva avanços do projeto do governo federal e endurece as penas contra o crime”. Para ele, a segurança deveria ser um “ponto de unidade” entre governo, Congresso e sociedade, destacando que “quando o tema é segurança, não há direita nem esquerda, há apenas o dever de proteger”.
Conteúdo da proposta da Lei Antifacção
O texto apresentado por Guilherme Derrite propõe equiparar o tratamento penal das facções criminosas a atos de terrorismo, embora não as classifique formalmente como organizações terroristas. O substitutivo elaborado pelo deputado endurece as penas e amplia o confisco de bens, além de permitir o bloqueio imediato de recursos utilizados por grupos criminosos. Essa proposta que impacta diretamente a segurança pública é crucial para a saúde política e social do país.
Os desdobramentos dessa situação ainda estão por vir, mas a tensão entre a escolha de um relator e as diretrizes do governo em relação ao combate ao crime são claros. A maneira como essas discussões serão conduzidas nos próximos dias pode influenciar não apenas o andamento da Lei Antifacção, mas também o cenário político brasileiro diante das eleições que se aproximam.
Com a insistência no tema segurança, parece que o governo não irá recuar facilmente, mesmo diante das críticas internas. A política, como sempre, continua a ser um jogo de xadrez onde cada movimento pode ter consequências profundas para todo o cenário político nacional.


