O cenário político em Sorocaba ganhou contornos dramáticos com o afastamento do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). O gestor, que estava engajado em um projeto ambicioso de se candidatar a cargos de grande envergadura, como o governo do estado, o Senado e até mesmo a presidência da República, agora enfrenta uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre desvios de verba da saúde pública. Este episódio levanta questões sobre a integridade e as estratégias políticas do prefeito, que se destacou por seu uso inovador das redes sociais, especialmente o TikTok.
A investigação e seus desdobramentos
Manga é um dos alvos da operação denominada “Copia e Cola”, que foi deflagrada no mês passado. O objetivo da PF é apurar suspeitas relacionadas a fraude e lavagem de dinheiro, em decorrência de contratos de administração de instituições de saúde no município e nas redondezas. Recentemente, a operação resultou na execução de sete mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão preventiva. Em uma medida cautelar severa, a Justiça também decretou o bloqueio e a indisponibilidade de bens do prefeito, totalizando a quantia de R$ 6,5 milhões.
Reação do prefeito e sua trajetória política
Rodrigo Manga, identificado como um “tiktoker”, alegou estar sendo alvo de uma perseguição política após manifestar seu interesse em candidaturas para as eleições de 2026. Suas declarações foram recebidas com ceticismo por muitos dentro do seu próprio partido, o Republicanos. A situação jurídica do prefeito tornou-se ainda mais complicada com as especulações sobre sua corrida à presidência, uma ideia que os dirigentes partidários não levam a sério. No entanto, o partido chegou a considerar um possível lançamento de Manga ao Senado, especialmente em vista das dificuldades jurídicas enfrentadas por Eduardo Bolsonaro (PL), atualmente nos Estados Unidos e que tem sua situação incerta no Supremo Tribunal Federal (STF).
Controvérsias envolvendo o PRTB
No início deste ano, o partido PRTB, por meio de sua liderança, convidou Manga para se candidatar ao governo de São Paulo. Apesar da iniciativa, o partido possui poucos recursos financeiros e está imerso em conflitos internos, incluindo acusações graves de compra de votos e ligações com organizações criminosas como o PCC.
Apopularidade e intenções de voto
As especulações em torno da candidatura de Rodrigo Manga têm gerado interesse, refletido nas pesquisas de opinião. Em um levantamento realizado pelo Paraná Pesquisas, Manga alcançou entre 8% e 10% nas intenções de voto para o Senado, mas isso não é suficiente para desbancar nomes fortes como Fernando Haddad (PT), que é apontado com 38%, e Geraldo Alckmin (PSB), com 42% de apoio.
Possibilidades para o governo estadual
Considerando uma eventual candidatura ao governo de São Paulo, os números são igualmente desanimadores para Manga. Em uma pesquisa realizada em 26 de agosto, ele registrou cerca de 5% das intenções de voto em um cenário que inclui Tarcísio de Freitas, atual governador. Sem a presença de Freitas na disputa, as intenções de Manga subiriam para 9%. Contudo, esses números ainda ficam aquém do que é necessário para se considerar uma candidatura viável, especialmente quando se avalia o apoio a outros candidatos que já detêm forte respaldo popular.
Assim, em meio a investigações sérias e desafios eleitorais, a trajetória política de Rodrigo Manga se complica. A capacidade de reverter essa situação dependerá não apenas da resolução legal de suas controvérsias, mas também da habilidade de reconquistar a confiança do eleitorado, em um cenário onde a integridade e a transparência são cada vez mais exigidas pelos cidadãos.


