Belém – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo intenso nesta sexta-feira (7/11) durante a última plenária da Cúpula do Clima, em defesa da taxação dos super-ricos e de grandes corporações. Lula destacou a necessidade de que as nações mais ricas do mundo assumam um papel ativo no financiamento das iniciativas de preservação da natureza e mitigação das mudanças climáticas, enfatizando que o Brasil está empenhado em garantir que esses países assumam a maior parte dos custos associados.
A importância da tributação ambiental
Em seu discurso, Lula abordou um ponto crucial: “Sem incluir o capital privado, a conta não fechará.” Para ele, a disparidade econômica é alarmante, uma vez que a maior parte da riqueza acumulada nas últimas quatro décadas foi apropriada por uma minoria, enquanto os orçamentos nacionais têm diminuído. Lula pontuou que uma pessoa do 1% mais rico do planeta emite mais carbono do que a metade mais pobre da população mundial durante todo um ano.
O presidente defendeu que é legítimo exigir uma contribuição maior dos mais afluentes, sugerindo a implementação de um imposto mínimo sobre corporações multinacionais e a tributação sobre o patrimônio dos super-ricos como fontes potenciais de recursos para ações climáticas vitais. “Essas medidas podem gerar recursos valiosos para a ação climática,” afirmou, reforçando a ideia de que os mais ricos têm um papel fundamental a desempenhar na luta contra as mudanças climáticas.
Uma transição justa para o Sul Global
Lula também ressaltou a necessidade de uma política externa que priorize o chamado Sul Global, composto por países em desenvolvimento que buscam liderar em questões ambientais. Ele enfatizou a viabilidade de uma transição justa, onde essas nações possam ter acesso às oportunidades que lhes foram negadas historicamente. “Precisamos avançar sem abrir mão de responsabilizar aqueles que se beneficiaram historicamente das emissões de carbono,” disse Lula.
Ele mencionou que as regiões da América Latina, Ásia e África enfrentam riscos sérios de se tornarem inabitáveis devido às mudanças climáticas. Omitir-se frente a essa realidade, segundo o presidente, é condenar mais uma vez aqueles que já são os mais vulneráveis no planeta. “As Contribuições Nacionalmente Determinadas são o caminho para a concretização do ideal de desenvolvimento sustentável,” concluiu.
A COP30 e o compromisso do Brasil
Em um chamado à ação, Lula destacou a importância da COP30, que ocorrerá em Belém, onde o Brasil pretende renovar seu compromisso com o Acordo de Paris. Em seu discurso, ele lembrou que a união entre os países é essencial: “Não existe solução para o planeta fora do multilateralismo.” A Terra é única e a humanidade é uma só, e a resposta aos desafios climáticos deve vir coletivamente.
Lula também criticou a forma como os recursos financeiros para o combate às mudanças climáticas têm sido disponibilizados, observando que maioria ainda vem na forma de empréstimos, o que ele considera injusto. “Não faz sentido exigir que países em desenvolvimento paguem juros para combater o aquecimento global,” insistiu. Ele propôs que o financiamento climático seja tratado como um investimento, não como um gasto.
O papel da comunidade internacional
O presidente destacou a necessidade de a comunidade internacional se reunir e definir padrões e metodologias claras para contabilizar o financiamento climático. Além disso, mencionou a importância de soluções inovadoras, como o comércio de carbono, que devem ser escaladas de maneira conjunta entre os países.
Em reconhecimento aos desafios globais, Lula conclamou todos os países a se unirem em prol de uma nova era de prosperidade e igualdade, onde recursos e responsabilidades sejam compartilhados equitativamente entre nações ricas e em desenvolvimento. “A resposta tem de vir de todos, para todos,” finalizou, deixando claro que a luta contra as mudanças climáticas é uma responsabilidade compartilhada.
Por meio de uma abordagem inovadora e colaborativa, o Brasil espera não apenas atender às necessidades atuais, mas também estabelecer um futuro sustentável para todos.
Leia o discurso na íntegra e Acompanhe o desenrolar da Cúpula do Clima para mais atualizações sobre as iniciativas globais em prol do meio ambiente.

