Os trabalhadores dos Correios no Canadá iniciaram uma greve nacional nesta quinta-feira, após o governo anunciar uma série de mudanças que incluem o fim do serviço de entrega porta a porta e o fechamento de agências rurais, agravando o funcionamento postal pelo país.
Razões por trás da greve dos Correios no Canadá
O sindicato dos correios — que representa cerca de 55 mil empregados — afirma que as mudanças propostas pelo governo ameaçam a manutenção de empregos e os serviços públicos de entrega postal. A greve ocorreu após o ministro responsável pelos Correios, Joël Lightbound, detalhar um plano de reestruturação que inclui o encerramento de agências rurais e a implementação de caixas postais comunitárias para substituir entregas domiciliares.
Crises financeira e anúncio de mudanças
Segundo Lightbound, a insolvência do serviço postal ocorre devido à queda na demanda por serviços de cartas, que geraram perdas superiores a 5 bilhões de dólares canadenses desde 2018. “O Correios do Canadá é praticamente insolvente”, afirmou o ministro em coletiva de imprensa, ressaltando a necessidade de reformulações para sua sobrevivência.
A União dos Trabalhadores dos Correios (CUPW) denuncia que o governo está apoiando um plano que visa reduzir a força de trabalho e facilitar a privatização dos serviços postais. “Essa greve é uma luta por manter empregos estáveis e garantir um serviço universal de qualidade para todos os canadenses”, declarou a entidade em nota oficial.
Medidas e impactos na rotina dos canadenses
As mudanças incluem o aumento da frequência com que a Canada Post poderá elevar o valor das tarifas de selos, além de permitir uma maior flexibilização na entrega, como a redução da obrigatoriedade de entregar correspondências cinco dias por semana. A proposta também prevê o fechamento de muitas agências rurais e a substituição do serviço de entrega porta a porta por caixas comunitárias, afetando cerca de 4 milhões de residências rurais e da periferia.
Reação do setor e perspectivas futuras
O sindicato afirma que ainda não há detalhes claros de como as mudanças serão implementadas, o que reforça a preocupação dos trabalhadores. “Estamos lutando para defender um serviço público que é vital para muitas comunidades, especialmente as mais remotas”, afirmou a CUPW.
Analistas alertam que a crise financeira do Canadá Post exige uma reforma, mas defendem que ela deve preservar o acesso universal ao serviço postal, sem comprometer empregos ou privatizar o setor. Os próximos dias serão decisivos para a retomada das negociações entre o governo e os trabalhadores.