Nesta terça-feira, a especialista em autoritarismo Ruth Ben-Ghiat chamou atenção para aspectos alarmantes na fala do ex-presidente Donald Trump durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. A professora da Universidade de Nova York identificou semelhanças entre a retórica de Trump e estratégias utilizadas por regimes autoritários do passado, como o fascismo italiano.
Declarações polêmicas e warning sobre energia verde
Durante sua fala, Trump criticou a energia verde, afirmando que o país e o mundo poderiam fracassar se não abandonarem o que chamou de "golpe verde". "Se vocês não se afastarem dessa fraude do verde, seus países vão fracassar", disse, citando uma campanha de 2024 com a frase “Trump was right about everything”, ou seja, “Trump tinha razão em tudo”.
“E não digo isso de forma arrogante, mas é verdade”, completou o ex-presidente. Sua retórica, segundo Ben-Ghiat, reforça uma postura de polarização e deslegitimação de políticas sustentáveis perante a comunidade internacional.
Risco de personalização do poder
A especialista lembrou que o discurso de Trump reflete uma "administração caracterizada por ‘pessoalismo’, em que todos se tornam instrumentos do líder". Ela destacou que esse tipo de retórica visa consolidar uma base de apoio que fortifica interesses autoritários.
Alerta de sinais autoritários
Ben-Ghiat alertou que, ao usar discursos de desprezo por consensos internacionais e polêmicas com forte apelo emocional, Trump demonstra comportamentos que podem favorecer o fortalecimento de regimes autoritários, similares aos utilizados por Mussolini na Itália.
"A comparação com as táticas de propaganda de Mussolini não é casual", afirmou a especialista, reforçando a preocupação de que, na política contemporânea, discursos assim possam levar a uma erosão dos valores democráticos.
Repercussões e próximo cenário político
O discurso de Trump na ONU reacendeu o debate sobre os riscos de autoritarismo, principalmente em um momento de forte polarização política e discurso de ódio. Especialistas avaliam que tanto o tom quanto as mensagens transmitidas indicam uma possível tentativa de reforçar narrativas antissistema.
O cenário político nos Estados Unidos permanece intenso, com seu possível retorno à Casa Branca planejado para 2024, o que reforça a importância de um monitoramento atento às suas estratégias discursivas.
Para mais análises sobre o impacto de discursos políticos no fortalecimento de regimes autoritários, acesse HuffPost.