O presidente Donald Trump assinou na quinta-feira uma ordem executiva que facilita a venda da operação do TikTok nos Estados Unidos para um consórcio de investidores americanos, entre eles apoiadores de sua administração, como Larry Ellison, Rupert Murdoch e Michael Dell. A medida busca resolver questões de segurança nacional relacionadas ao controle chinês sobre o app, ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre possíveis influências políticas na plataforma.
Garantia de neutralidade e controle do algoritmo
No evento realizado na Casa Branca, Trump afirmou que o novo TikTok não se tornará um instrumento de propaganda política e que todos os usuários terão tratamento justo. “Sempre gostei de algo relacionado ao MAGA. Se pudesse, faria com que fosse 100% MAGA”, disse o ex-presidente no Salão Oval. “Mas não vai acontecer assim. Infelizmente, todos serão tratados de forma justa, com diferentes grupos, filosofias e políticas sendo respeitados.”
Acordo para atender a preocupações de segurança
O movimento faz parte de anos de debates sobre o risco de o ByteDance, controladora do TikTok, utilizar a plataforma para espionagem ou manipulação de informações. A ordem de Trump classifica o acordo como uma “divisão qualificada” sob uma lei bipartisan de 2024, que exige que a ByteDance venda cerca de 80% do negócio nos EUA para investidores de fora do país, sob pena de proibição.
Segundo o vice-presidente J.D. Vance, que liderou as negociações com a ByteDance, a operação terá valor aproximado de US$ 14 bilhões e será controlada por investidores americanos, garantindo maior autonomia sobre o algoritmo. “Os investidores americanos irão realmente controlar como o conteúdo é gerenciado, o que atenderá às preocupações de manipulação política”, afirmou Vance.
Contexto político e regulamentar
O governo Biden vinha pressionando a ByteDance para que transferisse o controle do TikTok nos Estados Unidos, incluindo a supervisão de dados dos usuários. A lei aprovada em 2024 concedeu ao presidente autoridade para banir ou obrigar a venda de aplicativos considerados riscos de segurança, reforçando o poder de Trump na assinatura do acordo, que evita o fechamento do app no país.
Embora o acordo ainda não esteja completamente fechado, com detalhes como o painel de investidores e a aprovação regulatória pendentes, sua assinatura marca um avanço na estratégia dos EUA contra a influência chinesa na tecnologia, enquanto tenta garantir o acesso dos milhões de usuários ao TikTok no país.