O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (22), do Oito de Janeiro de 2024, que mulheres não devem usar Tylenol durante toda a gestação, alegando uma possível ligação com o aumento dos casos de autismo nos Estados Unidos. A declaração ocorreu sem apresentação de novas evidências científicas e reacendeu preocupações entre especialistas na área da saúde.
Medida e declaração polêmica
Durante uma coletiva na Casa Branca, Trump declarou que a FDA começará a notificar médicos que o uso de acetaminofeno “pode estar associado” ao risco de autismo, embora não tenha fornecido estudos ou dados que sustentem essa afirmação. “Recomendamos que mulheres não tomem Tylenol durante toda a gravidez”, afirmou o presidente, reforçando uma tese desacreditada por cientistas há anos.
O anúncio é parte de uma estratégia do governo de criar uma comissão “de todas as agências” para investigar as causas do autismo, liderada pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que tem defendido teorias desacreditadas relacionadas à vacinação e ao autismo.
Controvérsia e posicionamento científico
Especialistas alertam que o aumento de diagnósticos de autismo no país, que hoje afeta aproximadamente 1 em cada 31 crianças, é atribuído principalmente à maior conscientização, ao uso de uma definição mais ampla do transtorno e a melhores critérios de diagnóstico.
“Não há evidências de que o Tylenol cause autismo. A maioria das pesquisas indica fatores genéticos e ambientais complexos, sem relação com esse medicamento”, afirma a médica Mariana Lopes, especialista em neurodesenvolvimento. “Ataques infundados a vacinas e medicamentos prejudicam a saúde pública e podem levar a desinformação perigosa.”
Política de saúde e impacto público
O movimento liderado por Kennedy, aliado a Trump, tem provocado mudanças na política de vacinas e na postura de órgãos como o CDC, que recentemente revisou orientações sobre imunizações, em meio a desacordos internos e pressões externas. Nesse cenário, o governo busca reforçar hipóteses alternativas, embora sem respaldo científico sólido.
Segundo a Secretaria de Saúde, as ações visam “considerar todas as possíveis causas do autismo”. No entanto, a comunidade científica reforça que qualquer avanço verdadeiro requer estudos rigorosos, algo que não ocorreu até o momento neste caso específico.
Perspectivas e riscos de desinformação
Ao divulgar tais declarações sem evidências, a administração de Trump corre o risco de promover desconfiança nos passos tradicionais e embasados de pesquisas científicas. Especialistas alertam para os perigos de transmitir ideias equivocadas, especialmente em temas sensíveis, como saúde materna e desenvolvimento infantil.
De acordo com analistas, esse tipo de discurso pode prejudicar as ações de saúde pública, além de desviar recursos de estudos realmente relevantes para compreender o autismo e suas causas. A expectativa é que o governo publique detalhes oficiais sobre a investigação em breve, mas a comunidade científica permanece cética quanto à validade das afirmações.
Para saber mais sobre o aumento dos casos de autismo e suas verdadeiras causas, acesse as informações do CDC e estudos recentes na área.