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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

Especialistas alertam sobre riscos de proposta de separação do EUA feita por Marjorie Taylor Greene

<p> Deputada republicana sugere divisão do país em Estados vermelhos e azuis, mas especialistas alertam para potencialmente violenta e perigosa realidade.</p>

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Na última segunda-feira, a deputada Marjorie Taylor Greene (R-Georgia) publicou uma extensa mensagem na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, propondo uma “divórcio nacional” dos Estados Unidos. A proposta, que ganhou repercussão entre setores extremistas, foi motivada pela recente morte de Charlie Kirk, uma figura de destaque conservadora, e levantou grande preocupação entre analistas de ciência política.

Proposta de Greene e suas declarações preocupantes

Na publicação, Greene atribuiu a morte de Kirk a uma suposta celebração de militantes de esquerda, acusando-os de desejarem a morte de seus apoiadores. “Milhões de liberais comemoraram e deixaram claro que querem todos nós mortos”, afirmou a congressista, relacionando o episódio a uma suposta intolerância da esquerda ao diálogo pacífico.

Ela também defendeu a ideia de que, após o fortalecimento de um lado, como a Califórnia, por exemplo, seria necessário impedir que isso acontecesse em estados considerados “verdes”, como Flórida, por exemplo. “Pessoas que se mudam de estados azul para estados vermelho precisam de um período de resfriamento”, escreveu. Ainda em 2023, Greene reforçou seu posicionamento, dizendo que “todos que ela conversa” desejam uma separação do país.

Histórico e risco de violência

Especialistas destacam que tais declarações não só representam uma postura extremista, como também remontam a um capítulo sombrio da história americana.

Hasan Hafeez, politólogo ligado à Universidade de Northwestern, lembra que a Geórgia, estado de Greene, tentou uma “divisão pacífica” na década de 1860, o que resultou na Guerra Civil dos EUA. “A história mostra que tentativas de secessão não foram pacíficas e envolveram violência e mortes”, afirmou Hafeez, ressaltando que episódios históricos indicam a impossibilidade de uma separação digna.

Ryan Griffiths, professor da Universidade de Syracuse, reforça que a ideia de uma divisão irreconciliável ignora o fato de que os americanos estão geográfica, social e ideologicamente entrelaçados. “Qualquer tentativa de secessão baseada em diferenças profundas levaria a ciclos de violência e desencadeamento de um caos generalizado”, alerta Griffiths, destacando que, na prática, o país não possui condições para uma separação limpa.

Perigo da retórica de secessão e impacto social

Para Alvin B. Tillery Jr., professor de ciência política na Northwestern University, as palavras de Greene representam um “extremo neo-secessionista”, comum entre setores do sul conservador. Ele destrincha a relação entre esse discurso e o aumento de ameaças e ataques a líderes, acadêmicos e ativistas de minorias nos Estados Unidos.

O especialista também aponta que, enquanto figuras públicas recebem ameaças de morte e há uma escalada de intolerância, discursos de secessão podem alimentar ou justificar violência extrema, sobretudo em um contexto de polarização crescente.

“É preocupante que, enquanto o país enfrenta uma crise de violência e radicalização, líderes como Greene propagam ideias de ruptura que podem se transformar em uma ameaça real à estabilidade democrática”, completa Tillery.

Perspectivas de futuro

Embora Greene declare buscar uma solução pacífica, os especialistas são unânimes ao afirmar que a história e a atual conjuntura política indicam que uma separação desse tipo dificilmente poderia ocorrer sem conflito e violência. “A separação, se tentada, provavelmente desencadearia uma nova onda de guerras internas e crises sociais”, afirma Griffiths.

Assim, permanece o alerta de que o discurso de rupturas deve ser combatido com firmeza, promovendo diálogo e união para evitar uma ruptura perigosa e irreversível do país.

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