Jerry Greenfield, cofundador da Ben & Jerry's, anunciou sua saída da empresa após 47 anos de atuação, em meio a conflitos com a controladora Unilever. A decisão foi comunicada por Ben Cohen, que afirmou que Jerry “não pode mais, com boa consciência”, permanecer na companhia que ajudaram a criar em 1978, devido à suposta perda de autonomia e alinhamento com seus valores sociais.
Independência comprometida e luta por valores
Ben Cohen destacou que a independência da marca foi garantida por um acordo de fusão que consolidou a missão social e os princípios dos fundadores. “Essa independência, que foi a base da nossa venda para a Unilever, se foi”, afirmou Cohen em uma postagem no Twitter. “Estamos vivendo tempos difíceis, com ataques aos direitos civis, às mulheres, aos imigrantes e à comunidade LGBTQ+.”
Silêncio e silenciamento
Jerry afirmou que a empresa está sendo silenciada ao não poder se posicionar em temas como direitos civis, justiça racial e conflitos internacionais. “Ben & Jerry’s foi silenciada, afastada por medo de desagradar quem está no poder”, escreveu. “Essa é a hora de, mais do que nunca, defender a justiça, a equidade e nossa humanidade compartilhada.”
Reações e apoio da comunidade
Na internet, seguidores manifestaram apoio às atitudes de Jerry e criticaram a controladora. “Respeito ao Jerry por manter seus valores. Às vezes, sair é a melhor forma de protesto”, comentou um usuário. Outros incentivaram a criação de uma nova marca de sorvetes: “Faça um sorvete com seu nome. Vamos comprar! Estamos com você!”
Resistência e diálogo
Ben Cohen, embora não tenha anunciado sua saída junto de Jerry, continua a mobilizar seguidores na luta pela independência da marca. Num vídeo recente, Cohen pediu que a Magnum vendesse sua fatia na Ben & Jerry's, dizendo: “Magnum, você está destruindo o coração da Ben & Jerry’s. Liberdade para a marca!”
Representantes da Magnum, controladora da Ben & Jerry’s, afirmaram à imprensa que agradecem a Jerry por suas contribuições, mas discordam de sua visão. “Estamos focados em manter o legado de paz, amor e sorvete dessa marca icônica”, disseram, reforçando o compromisso de seguir os valores em que a empresa se baseia.
Futuro e esperança
A saída de Jerry levanta questões sobre o rumo da marca e o espaço para ativismo corporativo no Brasil e no mundo. A discussão continua nas redes sociais, com muitos habitantes do mercado de sorvetes questionando se a essência de uma marca pode sobreviver às pressões de interesses econômicos.
Enquanto isso, a batalha por uma indústria mais alinhada com valores sociais parece estar apenas começando. “A verdadeira força está em manter-se fiel aos princípios, mesmo diante das adversidades”, destacou um especialista em responsabilidade social corporativa.
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