A Sociedade Lírica do Belmonte (Solibel), uma renomada escola de música localizada no Crato, no Ceará, está passando por um momento crítico. Com mais de 50 anos de história, a instituição, que foi fundada em 1973 pelo monsenhor Ágio Augusto Moreira, o Padre Ágio, se tornou um marco na educação musical popular da região. No entanto, atualmente, o prédio que abriga a escola está em estado avançado de degradação, comprometendo a segurança de todos que ali passaram e estudaram.
A importância da Solibel na educação musical
A Solibel nasceu como um projeto social focado em fornecer educação musical a agricultores e suas famílias, oferecendo cursos que transformaram a vida de muitos jovens. Durante décadas, a escola desenvolveu músicos, maestros e professores, além de promover um ambiente de aprendizado que beneficiou famílias de baixa renda. Para muitos ex-alunos, a escola representa mais do que uma instituição educacional; é um espaço de transformação pessoal, onde a arte ajudou a moldar não apenas talentos, mas também seres humanos mais completos.
No entanto, a situação atual da Solibel é alarmante. O imóvel encontra-se fechado, com salas de aulas empoeiradas, e o telhado em risco de desabamento. O refeitório já sofreu o colapso do teto, e o acervo musical, composto por livros e partituras, está sendo consumido por cupins. O produtor cultural Ítalo Darlan salienta que a regularização da diretoria e a obtenção de um CNPJ são passos fundamentais para que a escola possa retomar sua participação em editais e convênios que viabilizem sua revitalização.
Movimento comunitário em busca de ajuda
Com a deterioração progressiva do prédio, os moradores do Crato têm se mobilizado para salvar a Solibel. A comunidade convida empresários, ex-alunos e cidadãos a contribuir com doações de materiais de construção para que as obras de revitalização possam ser realizadas de forma colaborativa. "Muitas gerações passaram por aqui. Mesmo aqueles que não seguiram a vida profissional na música puderam virar seres humanos melhores. Isso porque a arte afina os sentimentos da gente", recorda emocionado o ex-aluno Cícero Antônio Galdino, que hoje é professor e regente de coral na Vila da Música.
O esvaziamento e o futuro da instituição
O esvaziamento da Solibel tem sido perceptível desde a criação da Vila da Música, que homenageia o Padre Ágio. Esse processo se intensificou após sua morte, aos 101 anos. Embora a escola do Governo do Estado utilize professores formados pela Solibel, sua gestão não tem ligação com o projeto social que precedeu a Vila. Em nota, a Vila reconhece a importância da Solibel e se coloca à disposição para apoiar a mobilização, oferecendo espaços para reuniões e assistência jurídica necessária para a regularização da entidade.
A luta dos moradores vai além da preservação do imóvel. Eles buscam garantir a continuidade de um legado cultural que começou há mais de cinco décadas. O futuro da Solibel agora depende da união entre a comunidade, o poder público e possíveis apoiadores para que a música volte a ressoar no espaço que atualmente é dominado pelo silêncio.
Apelo aos empresários e à sociedade
"Hoje, pedimos aos empresários que tiveram contato com o padre, aos donos de lojas de material de construção, para que doem baldes de tinta, massa, telhas, tijolos e cimento. Não podemos deixar que o sonho do padre Ágio morra; isso não é justo", enfatiza Joênio Victor, articulador cultural e membro ativo da comunidade. "Temos pedreiros prontos para realizar as obras, e nossa solicitação é que a sociedade se sensibilize com essa situação e venha nos ajudar".
A mobilização em torno da Solibel representa uma oportunidade para preservar a memória cultural e musical de uma região rica em tradições. Com a força da comunidade e o apoio de iniciativas públicas e privadas, há esperança de que a escola renasça e continue sua missão de transformar vidas através da música.