No Distrito Federal, a situação da saúde pública tem se tornado preocupante, especialmente para as mulheres em busca de atenção ginecológica. Entre os dias 15 e 16 de setembro, dezenas de mulheres passaram a noite em frente ao Hospital Regional do Gama tentando garantir uma consulta com ginecologistas. Essa cena angustiante ilustra a grave crise que o sistema de saúde enfrenta na região.
O relato das pacientes
As mulheres que aguardavam atendimento relataram que chegaram ao hospital por volta das 21h da segunda-feira, e às 8h da terça-feira, muitas ainda esperavam em fila para serem atendidas. Algumas delas mencionaram que já tentaram marcar consultas outras vezes, mas sempre voltaram para casa sem sucesso.
Enquanto isso, na fachada da unidade, cartazes informavam sobre a disponibilidade limitada de vagas, com apenas 32 consultas programadas para o dia. Este dado gera apreensão e frustração nas pacientes, que lutam por um direito básico de saúde.
Consequências da falta de médicos
A situação se agrava com a informação da Secretaria de Saúde do DF, que revelou uma redução drástica no número de consultas ginecológicas oferecidas. Segundo a pasta, em agosto o hospital registrou cerca de 500 consultas, mas esse número caiu para 378 em setembro devido à aposentadoria de médicos. “A prioridade tem sido manter a assistência no pronto-socorro, o que impacta na quantidade de consultas ambulatoriais disponíveis”, informou a Secretaria.
Casos graves também são afetados
A precariedade da saúde no DF não afeta apenas consultas ginecológicas. O Hospital de Base, principal unidade de saúde da região, também sofre com longas filas de espera. Pacientes relatam problemas de falta de médicos, medicamentos e materiais para exames. A paciente Míria Batista dos Santos, diagnosticada com câncer de mama, exemplifica essa realidade. Míria aguarda há mais de dois meses por um exame crucial que poderia permitir a realização de sua cirurgia.
“Tentei a liberação do material da biópsia para realizar o exame na rede privada, mas meu pedido foi negado pelo Hospital de Base”, contou Míria, que teve seu tumor crescendo mais 4 centímetros durante esse tempo de espera. Na última terça-feira, o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) afirmou que o exame estava pronto, mas não explicou por que Míria ainda não havia sido informada sobre o resultado.
O cenário alarmante de filas à espera de atendimento
A realidade da saúde pública no DF é alarmante. Atualmente, há mais de 320 mil agendamentos de exames e consultas pendentes na rede pública, com um tempo médio de espera que atinge cinco meses. Para cirurgias eletivas, a situação é ainda mais crítica, com 16.310 solicitações e tempo de espera que ultrapassa seis meses.
De acordo com dados do Mapa Social da Saúde do Ministério Público do DF, a maioria dessas solicitações é classificada como de alto risco. Isso significa que muitos pacientes estão em situações vulneráveis, esperando por tratamentos que podem ser decisivos para suas vidas.
A resposta das autoridades
Diante desse quadro, a população clama por soluções rápidas e efetivas. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a necessidade de ampliar o programa Mais Médicos e construir hospitais universitários para melhorar a assistência à saúde no Brasil.
Além disso, a Justiça do Trabalho determinou a manutenção de 70% dos funcionários nos hospitais e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) gerenciadas pelo IgesDF, buscando garantir um mínimo de assistência aos pacientes.
As mulheres que aguardam na porta do Hospital Regional do Gama e os pacientes como Míria representam uma parte significativa da população que enfrenta um sistema de saúde sobrecarregado e deprimente. Espera-se que medidas efetivas sejam tomadas para restaurar a confiança e garantir direitos básicos de saúde para todos. Enquanto isso, a luta dessas mulheres e pacientes continua.