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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Política

MP investiga morte de bebê indígena em hospital no Rio de Janeiro

<p> Ministério Público do RJ faz nova análise sobre a morte da bebê Joana, cuja família alega negligência médica.</p>

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) anunciou uma análise complementar nas documentações relacionadas à morte da bebê indígena Joana Garcia Campos, de apenas 1 ano e 11 meses. A tragédia ocorreu no final de julho, após a menina ser transferida da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Pediátrica de São Pedro da Aldeia para o Hospital Pediátrico Lagos (HP Lagos). A causa do óbito, conforme laudo do Instituto Médico-Legal (IML), foi pneumonia, miocardite aguda e choque séptico.

Família acusa negligência no atendimento

A família de Joana questiona os resultados do laudo e denuncia uma série de falhas no atendimento médico. Com o objetivo de apurar se houve erro médico, o MPRJ está revisando guias, laudos e atestados referentes ao atendimento da menina. Para eles, o laudo do IML foi entregado apenas após várias tentativas e não incluiu um exame toxicológico — crucial para investigar se a garota poderia ter sofrido uma intoxicação por medicação.

Christinny Garcia, mãe da criança, desabafou: “Eles sequer pediram o toxicológico, então não tem como descartar a hipótese de uma possível intoxicação por medicação”. Segundo ela, essa análise poderia esclarecer as circunstâncias da morte da filha, especialmente porque uma profissional da UPA teria mencionado a administração de um medicamento que não está registrado no prontuário da menina.

Divergências nos registros médicos

A família também levanta sérias preocupações sobre a precisão e integridade dos registros médicos. Eles alegam que houve manipulação de prontuário, e até suspeitas de broncoaspiração durante tentativas de intubação. Além disso, relatam que o Hospital Pediátrico Lagos teria incluído dados de outras crianças em documentos fornecidos, o que foi negado pela instituição.

A mãe da bebê expressou sua indignação: “Não existe uma explicação sobre como uma bebê de quase 2 anos deu entrada numa UPA sem gravidade e sai praticamente morta”. Neste contexto, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) já instaurou uma sindicância para investigar o caso.

Investigação em andamento

Na última quinta-feira (4), a promotora Renata Mello Chagas se reuniu com Christinny Garcia para discutir o caso. A promotora está requisitando depoimentos de todas as enfermeiras que atenderam Joana entre os dias 24 e 27 de julho. Além disso, a secretaria deverá detalhar todos os medicamentos que foram ministrados à criança, buscando identificar se houve aplicações não registradas.

A promotora também solicitou a realização do exame toxicológico no corpo da menina e a documentação será encaminhada ao Grupo de Apoio Técnico Especializado (Gate) do MPRJ. “As investigações estão em andamento, e ainda não há conclusão sobre a ocorrência ou não de erro médico”, destacou a promotoria em nota.

Repercussão política

A situação ganhou ainda mais atenção com a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) acompanhando o caso e solicitando informações ao MPRJ. Enquanto isso, o IML estabeleceu um prazo de 30 dias para a conclusão da sindicância, que pode ser prorrogado por mais 8 dias, e os resultados devem ser divulgados até o próximo dia 16.

O g1 entrou em contato com a Polícia Civil a respeito da ausência do exame toxicológico, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. A Secretaria de Estado da Saúde afirma que está comprometida em esclarecer os fatos e garantir que a verdade seja apurada.

As questões levantadas pela família, junto com a falta de respostas sobre o que realmente aconteceu, continuam causando revolta e incerteza em uma comunidade que busca justiça.

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