O secretário de Defesa Pete Hegseth teve uma resposta polêmica nesta semana após afirmar que o Pentágono possui “autoridade absoluta e completa” para bombardear suspeitos de tráfico de drogas venezuelanos, sem apresentar fundamentos jurídicos que embasem essa declaração. A fala ocorreu após a ordem de ataque de Donald Trump, que matou 11 pessoas e gerou debates sobre os limites legais de ações militares.
Falta de respaldo legal para o ataque
Durante entrevista nesta quinta-feira (22), um repórter questionou Hegseth sobre a base jurídica que justificou a ofensiva contra o barco carregado de drogas. Ele respondeu: “Primeiro, a defesa do povo americano. Temos autoridade total para fazer isso.” No entanto, não citou nenhuma lei, tratado ou mecanismo jurídico oficial que confirme essa competência.
Declarações controversas de Hegseth
Ao ser questionado mais uma vez, Hegseth afirmou: “A defesa do povo americano, sozinha, justifica essa ação. Milhares de americanos são mortos anualmente por causa da fronteira aberta e do fluxo de drogas. Se alguém tentar fazer o mesmo, vai se deparar com a mesma resposta.”
O ex-presidente Donald Trump anunciou que ordenou o ataque, alegando que os alvos eram membros do cartel venezuelano Tren de Aragua, que foi designado como organização terrorista estrangeira em fevereiro, conforme o Departamento de Estado dos EUA.
Reações e críticas ao episódio
O episódio provocou condenações até entre membros do próprio Partido Republicano. O senador Rand Paul (R-Ky.), presidente do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais, alertou que a medida pode estabelecer um perigoso precedente.
“Embora seja difícil ter compaixão por traficantes, a questão é: onde isso vai parar? Seremos o polícia do mundo?”, questionou Paul em entrevista à Newsmax. Ele acrescentou: “Se esses criminosos fossem capturados perto de Miami, a polícia os apreenderia ou prenderia. Sem violência, sem ataque.”
Implicações jurídicas e diplomáticas
A ausência de uma justificativa legal clara para o ataque acendeu alertas sobre os limites do poder militar unilateral. Especialistas do setor apontam que ações semelhantes podem configurar violações ao direito internacional e à soberania de outros países, além de gerar instabilidade.
Segundo analistas, a posição oficial de Hegseth revela uma postura de maior unilateralismo na condução de operações de força. Ainda não há informações sobre novas ações similares planejadas pelo governo americano.
Este artigo foi originalmente publicado na HuffPost. Veja a reportagem completa.