Brasil, 17 de janeiro de 2026
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Pec do fim do foro privilegiado não deve beneficiar Bolsonaro

A proposta de emenda à Constituição pode mudar o cenário de julgamentos, mas não afeta a situação de Bolsonaro.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com o foro privilegiado de parlamentares, parte do controverso “pacote da paz” defendido pela oposição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está suscitando discussões acaloradas no cenário político brasileiro. Embora a proposta tenha atraído o apoio de partidos do centrão e possa impactar a tramitação de processos no Supremo Tribunal Federal (STF), não se pode afirmar que ela oferecerá alívio imediato a Bolsonaro, que atualmente enfrenta um processo por tentativa de golpe de Estado.

A proposta da PEC e suas implicações

A principal mudança proposta pela PEC é a extinção do foro privilegiado, que garante a deputados e senadores o julgamento no STF por crimes cometidos durante o exercício de seus mandatos. No entanto, a proposta mantém a competência do STF nos casos que envolvem o presidente e o vice-presidente da República, o que significa que crimes cometidos nesse nível continuarão sendo analisados pela mais alta corte do país. Se aprovada, esta emenda remeterá o julgamento de muitos casos a instâncias inferiores, o que pode prolongar a tramitação de processos.

Essa mudança pode ter um impacto direto em outros membros da ala bolsonarista, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que é investigado por crimes contra a soberania nacional. Ao mesmo tempo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defende que o ex-presidente deveria ser julgado em primeira instância, como foi o caso de seus antecessores Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer. Essa visão, entretanto, é contestada, uma vez que, em março, o STF decidiu por uma ampliação do foro privilegiado.

“Michel Temer e Lula foram julgados onde? Na primeira instância, como deveria estar acontecendo com o presidente Bolsonaro. Isso não pode continuar sendo usado como um instrumento de pressão sob deputados e senadores”, afirmou Flávio.

Condições para a aprovação da PEC

A tramitação da PEC no Congresso é uma questão que merece atenção, pois a proposta já está na Câmara desde 2013, mas só recentemente começou a ganhar traction. O apoio do centrão, que se mobilizou para destravar pautas no Legislativo, pode ser um indicativo de que a emenda avance. Contudo, a aprovação final ainda não está garantida.

Outra questão relevante é que, embora a PEC não beneficie diretamente Jair Bolsonaro, ela pode abrir espaço para que outros parlamentares da ala bolsonarista tenham seus casos julgados em instâncias inferiores, aumentando, portanto, a pressão sobre o STF e a própria governabilidade do país. Além disso, a possibilidade de uma anistia geral, que inclui a reavaliação de condenações políticas de figuras da última administração, está em discussão e poderia beneficiar o ex-presidente.

Anistia: a outra face do pacote

Além da PEC, a oposição está buscando aprovar a tramitação de uma anistia “geral e irrestrita”, que, se aprovada nos moldes propostos pelos bolsonaristas, poderá incluir condenações de natureza política ocorridas entre o final de 2022 e o início de 2023. Tal medida seria um grande trunfo para aliados de Bolsonaro, uma vez que poderia efetivamente limpar a ficha de condenações de seus membros e garantir uma maior estabilidade política para a direita.

Além disso, o projeto de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes também permanece em pauta, tendo já reunido 41 assinaturas no Senado. No entanto, a falta de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, torna a tramitação incerta. Alcolumbre já afirmou que não pautará o impeachment, o que gera dúvidas sobre a viabilidade desse movimento.

Conclusões sobre o futuro político

As movimentações em torno da PEC do fim do foro privilegiado e das propostas de anistia refletem a complexidade do atual cenário político no Brasil. Com a divisão entre os poderes e os embates ideológicos cada vez mais acirradamente, qualquer mudança proposta deve ser analisada com cautela. A PEC poderá, sim, mudar algumas regras do jogo, mas não será a solução mágica que a ala bolsonarista espera para aliviar a pressão sobre seus membros mais visados.

Assim, o que se espera em um futuro próximo é que a discussão em torno da PEC e das propostas de anistia continue a moldar as interações políticas, somando mais um capítulo à tumultuada história das relações entre o Legislativo e o Judiciário no Brasil.

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