Brasil, 21 de janeiro de 2026
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Anvisa suspende medicamento de R$ 17 milhões após mortes nos EUA

A Anvisa suspendeu temporariamente o uso do Elevidys, medicamento para distrofia muscular, devido a casos fatais nos EUA.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou uma suspensão temporária da comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso do medicamento de terapia gênica Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque) no Brasil. A decisão visa a segurança dos pacientes após relatos de casos fatais de insuficiência hepática aguda em pessoas tratadas com o produto nos Estados Unidos.

O que motivou a suspensão do Elevidys

A suspensão, publicada em uma edição extra do Diário Oficial no dia 24 de julho, é uma medida de precaução até que sejam esclarecidas as novas incertezas de segurança associadas ao medicamento. Esses questionamentos surgiram após a divulgação de informações pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora norte-americana, que registrou três óbitos relacionados ao uso de terapias gênicas, incluindo dois casos de pacientes pediátricos com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD).

Custo e exclusividade do medicamento

O Elevidys é considerado um dos medicamentos mais caros do mundo, registrado no Brasil como uma das únicas opções terapêuticas para a DMD, com um custo que atinge R$ 17 milhões. Seu uso foi implementado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em fevereiro deste ano, após uma regulamentação que fixou um preço máximo de R$ 11 milhões, tornando-o o remédio mais caro disponível no país. A DMD é uma doença genética rara que afeta principalmente meninos e é caracterizada pela falta da proteína distrofina, levando a uma progressiva perda de habilidades motoras.

Casos de óbito e implicações

Os casos fatais mencionados pela FDA aconteceram em um jovem de 16 anos e em um adolescente de 15 anos que já não conseguiam mais andar devido ao avanço da doença, caracterizando o uso off-label do medicamento. Ambos evoluíram para insuficiência hepática aguda, resultando em morte.

A Anvisa enfatizou que o Elevidys tem uso restrito no Brasil, sendo indicado apenas para crianças entre 4 e 7 anos que ainda conseguem andar, o que teoricamente exclui os perfis de pacientes que faleceram nos Estados Unidos. Apesar disso, a agência decidiu pelo congelamento do uso em território brasileiro como parte de uma abordagem cautelosa e preventiva diante dos novos dados que sugerem hepatotoxicidade.

Medidas preventivas e segurança do paciente

O objetivo da suspensão temporária inclui garantir a segurança dos pacientes, além de possibilitar uma avaliação mais detalhada sobre os riscos hepáticos emergentes. A Anvisa também deseja discutir ajustes possíveis no plano de gerenciamento de risco e nas estratégias de manejo clínico, se necessário, antes de considerar o retorno da comercialização do Elevidys.

Embora não haja relatos de complicações no Brasil até o momento, a Anvisa considera que qualquer dúvida sobre a segurança do medicamento deve resultar em ação regulatória imediata. A empresa Roche, responsável pelo registro do Elevidys no Brasil, está alinhada com essas medidas e as análises que estão em andamento.

Perspectivas futuras para usuários do Elevidys

Após a suspensão, muitos pais e responsáveis têm expressado preocupação sobre o fornecimento do Elevidys para crianças com DMD no Brasil. A Anvisa reafirmou que a segurança dos pacientes é a prioridade máxima e que as dificuldades enfrentadas por essas famílias são compreendidas e levadas em consideração. A agência continuará monitorando a situação e espera fornecer atualizações assim que houver novos desenvolvimentos sobre a segurança do medicamento.

Com a suspensão temporária e um cenário em constante evolução, o futuro para a terapia gênica para a Distrofia Muscular de Duchenne no Brasil ainda é incerto. Espera-se que a Anvisa mantenha um canal aberto com a sociedade e que qualquer avanço no entendimento do medicamento busque sempre a salvaguarda da saúde da população.

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