Na quinta-feira, os republicanos aprovaram na Câmara dos Deputados um amplo projeto de lei que corta impostos, reduz a assistência social e aumenta recursos para deportações, enviando a proposta ao presidente Donald Trump para assinatura. A medida traz impactos negativos significativos à saúde, às finanças públicas e à política migratória dos Estados Unidos, além de ampliar a crise de desigualdade no país.
Impacts na saúde e Safeguard Social
O projeto de lei reduz drasticamente o orçamento destinado ao Medicaid, além de estabelecer novas "exigências de trabalho" para beneficiários do programa, que terão que comprovar atividades laborais ou de voluntariado por pelo menos 20 horas semanais. Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), as alterações provavelmente diminuirão o acesso à saúde, especialmente em áreas rurais, colocando hospitais em risco.
Além disso, a proposta inclui cortes de mais de US$ 1 trilhão em programas de alimentação, como o Supplementary Nutrition Assistance Program (SNAP), ao alterar critérios de elegibilidade e incentivar a redução de beneficiários. Especialistas alertam que as mudanças prejudicarão milhões de famílias vulneráveis, ao mesmo tempo em que favorecem interesses de grandes corporações e indivíduos ricos.
Projeto de cortes de impostos e aumento de dívida
Com um custo estimado de US$ 4,5 trilhões, a iniciativa repassa enormes benefícios fiscais às maiores fortunas, sem garantir o equilíbrio fiscal. Apesar das promessas de crescimento econômico, a maioria dos analistas considera que o aumento no endividamento, que pode ultrapassar US$ 3,4 trilhões, agravará a crise financeira do país.
"Este projeto é uma traição ao povo americano, pois favorece os mais ricos às custas dos mais vulneráveis", afirmou a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez. "É uma medida cruel, covarde e que demonstra uma completa falta de compromisso com o bem-estar social", completou.
Política migratória e recursos para deportações
Um dos pontos mais controversos do projeto é o aumento de recursos destinados às ações de deportação. O governo receberá US$ 150 bilhões, incluindo US$ 45 bilhões para novas instalações de detenção e US$ 29 bilhões para contratar agentes do ICE (Imigração e Alfândega). Os valores destinados à repressão migratória são considerados exorbitantes, sendo maior do que o orçamento anual do Bureau de Prisões dos EUA.
Ativistas e democratas criticaram duramente o aumento dos financiamentos. "Transformar o ICE em uma força paramilitar é uma ameaça à democracia e à segurança dos cidadãos americanos", alertou a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.
Retrocessos legislativos e reação política
Apesar das críticas, a Câmara aprovou o projeto por 218 votos a 214, com todas as democratas e dois republicanos contrários, enquanto alguns republicanos moderados relutaram, mas acabaram votando a favor sob pressão. Durante a madrugada, vários republicanos protestaram contra as mudanças feitas pelo Senado, que aumentaram o custo do pacote em cerca de um trilhão de dólares.
O líder democrata Hakeem Jeffries criticou duramente o projeto, afirmando que ele representa um ataque à saúde pública e ao sistema de assistência social. "Este projeto elimina benefícios essenciais e compromete o futuro do país", declarou, em um discurso de nove horas na Câmara.
Próximos passos e previsões
O presidente Donald Trump deve assinar o projeto, oficializando um pacote que aprofundará as desigualdades e agravará a crise econômica. A expectativa é que a legislação entre em vigor ainda neste mês, reforçando uma agenda de cortes fiscais, austeridade social e repressão migratória que promete marcar os próximos anos nos EUA.